Exercícios com ostinato de jazz junto com colcheias pontuadas e semicolcheias

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Ao longo da história da música ocidental os compositores obtiveram grandes avanços no que diz respeito aos aspectos melódicos e harmônicos da música. Contudo, quanto ao aspecto puramente rítmico, as grandes obras de compositores renomados aparentam ser simples e ingênuas perto de músicas de povos considerados por alguns, não civilizados. Como por exemplo, certas tribos africanas possuem músicas com ritmos distintos executados ao mesmo tempo por dois ou mais percussionistas. Já nas ilhas do leste da Índia, algumas crianças treinadas nas danças nativas são capazes de executar polirritmias como o 5:4 (cinco contra quatro), consideradas extremamente complexas para as pessoas habituadas com as músicas ocidentais.

Foi devido a abolição da escravatura que conceitos rítmicos mais arrojados foram inseridos na música ocidental. Na América do Norte, a troca cultural entre povos colonizadores e os recém libertos africanos foi o propulsor para o surgimento do jazz, um estilo musical que tem como característica o uso de ritmos complexos, onde a síncope e a polirritmia se faz bastante presente.

O livro “Advanced Techniques for the Modern Drummer” do renomado baterista Jim Chapin, contém exercícios para auxiliar o baterista adquirir um vocabulário rítmico mais rico e para desenvolver a capacidade de tocar ritmos distintos ao mesmo tempo com os diferentes membros do corpo. Caso os leitores possuírem interesse em se aprofundar mais nos conhecimentos passados por esse grande baterista, aconselho a comprarem o livro.

Os exercícios abordados nesta publicação consistem em frases rítmicas com colcheias pontuadas e semicolcheias juntamente com ostinato de jazz, as quais são importantes para o baterista que possui o interesse em ingressar no jazz e nas suas vertentes. Para facilitar a leitura, nos primeiros exercícios o autor inseriu linhas pontilhadas entre as notas que são executadas ao mesmo tempo.

Colcheias pontuadas 1Colcheias pontuadas 2Colcheias pontuadas 3Colcheias pontuadas 4Deve-se ter em mente que para soar musical, o praticante deve tocar de forma relaxada, sem se preocupar em adquirir velocidade. É aconselhado o uso do metrônomo apenas quando estiver conseguindo tocar confortavelmente as frases rítmicas. É interessante também fazer os exercícios com os outros membros além da mão direita e esquerda, como por exemplo, linha de cima pé esquerdo e linha de baixo pé direito (vice-versa), ou  linha de cima mão direita e  linha de baixo pé esquerdo (vice-versa).

Desejo-lhes bons estudos!

eu

Jazz VII – Estudando e improvisando: III.Take Five (Dave Brubeck)

Olá para todos os entusiastas do blog musical CAVERNADOLENHADOR.

Seja bem vindo ao curso de Introdução ao Jazz do professor Christhian Beschizza!

Nesses posts de estudo e improviso, aprenderemos a forma, harmonia e escalas de cada tema com um intuito de aprendizagem progressiva abordando aspectos importantes da linguagem jazzística em cada um.

Trabalharemos hoje com outro tema consagrado para nosso estudo da improvisação: Take Five (clique para ouvir), onde Dave Brubeck foge do padrão rítmico convencional do jazz no disco Time Out de 1959. Nosso enfoque nesse tema é dominar o improviso em compassos fora do convencional quatro por quatro. Mais informações sobre os compassos irregulares estão nesse post do baterista Luiz Caverna.

Forma

A primeira coisa que deve ser pensada para a aprendizagem de um novo standard é a forma em que está disposto o tema. É importante internalizar os padrões das mudanças harmônicas para a improvisação, tanto no jazz quanto em qualquer outra linguagem.

Em Take Five, temos um tema de 32 compassos, dividido em A A B A. É o mesmo esquema de So What, mas cada segmento harmônico terá oito compassos cinco por quatro, que pode ser dividido como 3+2 ou 2+3 na hora de improvisar frases, mas está em 3+2 no ritmo harmônico. Pelo tempero rítmico diferenciado desse tema, é bem conveniente para o improviso do baterista, que poderá aproveitar para solar em mais chorus, mostrando seu virtuosismo e o domínio que tem de seu instrumento.

Harmonia

Aproveitaremos para ampliar um pouco nosso acervo de acordes com esse tema. Para um acompanhamento rico, é importante conseguirmos mais de uma possibilidade de variação para cada apresentação dos acordes, evitando a monotonia e melhor preenchendo para a instigar mais envolvimento e criatividade no solista!

Em A, lidamos com Ebm7 (três tempos) e Bbm7 (dois tempos).

Ebm7 chordEbm7 chordEbm7 chord

Ebm7 chordEbm7 chordEbm7 chord

Bbm7 chordBbm7 chordBbm7 chord

Bbm7 chordBbm7 chordBbm7 chord

Perceba que a construção dos shapes são iguais em alguns casos, assim seremos capazes de usar o mesmo shape para acordes menores com sétima por todo o braço pensando a princípio em onde está a fundamental na sexta ou quinta cordas. Para o improviso melódico, também é importante estarmos bem versados nos shapes dos acordes para que possamos nos apoiar melhor nas notas constituintes do acorde para a resolução das frases.

Para parte B, Cb7+ (ou B7+) (três tempos), Ab6 (dois tempos)

CbM7 chord

Ab6 chord

Bbm7 (três tempos), Ebm7 (dois tempos)

Bbm7 chord

Ebm7 chord

Abm7 (três tempos), Dbm7 (dois tempos) – repare que são os mesmos shapes acima mas um tom abaixo

Abm7 chord

Dbm7 chord

Gb7+ (cinco tempos) – também um tom abaixo do anterior

Gbm7 chord

Gbm7 chord

Escalas

Usaremos o modo Dórico no decorrer do tema, que é como uma escala menor com a sexta maior. Uma boa forma de internalizar a construção desse modo é pensando em uma escala de Dó sendo tocada a partir da nota Ré. É como se, em um piano, tocássemos só notas brancas (sem acidentes) com nosso centro revolvendo em torno de Ré.

Um caminho é usar a escala de cada um dos acordes em cada momento em que eles se apresentam, como fizemos em So What. Outro será improvisar sempre em Eb dórico, se ainda for difícil pensar em cada um deles e ainda conciliar à mudanças de métrica. A escala é a mesma usada anteriormente:

D# Dorian

Agora estamos armados com as informações necessárias para brincar encima desse tema. Coloque esse backing track da sessão A e inicie seus estudos! Caso ainda seja difícil fazê-lo, para saber melhor como aplicar as instruções desse post, leia os posts anteriores.

Série de Introdução ao Jazz da CAVERNADOLENHADOR:

(ainda por vir!) Jazz I – Fundamentos teóricos: Construção do solo

(ainda por vir!) Jazz II – Fundamentos teóricos: Forma e Fraseado

(ainda por vir!) Jazz III – Fundamentos teóricos: Harmonia

(ainda por vir!) Jazz IV – Fundamentos teóricos: Escalas

Jazz V – Estudando e improvisando: I. So What (Miles Davis)

(ainda por vir!) Jazz VI – Estudando e improvisando: II. Autumn Leaves (Bill Evans)

Jazz VII – Estudando e improvisando: III.Take Five (Dave Brubeck)

(ainda por vir!) Jazz VII – Estudando e improvisando: IV. Giant Steps (John Coltrane)

(ainda por vir!) Jazz VIII – Free Jazz: Ornette Coleman

Jazz V – Estudando e improvisando: I. So What (Miles Davis)

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Nesses posts de estudo e improviso, aprenderemos a forma, harmonia e escalas de cada tema com um intuito de aprendizagem progressiva abordando aspectos importantes da linguagem jazzística em cada um.

Trabalharemos hoje com um tema introdutório para nosso estudo da improvisação: So What (clique para ouvir), primeira faixa do disco Kind Of Blue de 1959. Nosso enfoque nesse tema é dominar a forma e internalizar nosso o ritmo harmônico e reconhecer modulações.

miles davis

Forma

A primeira coisa que deve ser pensada para a aprendizagem de um novo standard é a forma em que está disposto o tema. É importante internalizar os padrões das mudanças harmônicas para a improvisação, tanto no jazz quanto em qualquer outra linguagem.

No caso de So What, temos um tema de 32 compassos, dividido em A A B A. Isso quer dizer que cada segmento harmônico terá oito compassos quaternários, o segundo é igual ao primeiro, o terceiro introduz uma nova ideia e é seguido por um quarto que reapresenta o primeiro.

Com essas informações em mente, evidencio como se estrutura a música na gravação original:

  1. Introdução livre
  2. Tema – apresentado no baixo
  3. solos individuais, 32 compassos – Miles, Coltrane, Cannonball, Bill Evans
  4. Tema – novamente apresentado no baixo e desaparecendo vagarosamente

Harmonia

Começamos por esse standard em função de sua simplicidade de mudanças no tempo harmônico. Dessa forma estudamos para internalizar o momento de mudança de acordes e, por consequência, percebermos o momento para adotarmos uma nova escala para nosso improviso. Tanto A quanto B tem apenas um único acorde que os define, A revolverá em torno de Dm7 e B em Ebm7.

Começamos com esses acordes com o mesmo shape:

Dbm7 chord Ebm7 chord

Escalas

A importante peculiaridade de So What é que Miles Davis com esse tema apresenta ao mundo jazzístico a improvisação modal. Isso quer dizer que, ao invés de se improvisar pensando em uma tonalidade e progressões harmônicas que revolvem em torno dela, pensaremos as escalas em função ao acorde que está soando, independente do contexto maior do que precede este ou para onde está indo.

Usaremos nos dois acordes o modo Dórico, que é como uma escala menor com a sexta maior. Uma boa forma de internalizar a construção desse modo é pensando em uma escala de Dó sendo tocada a partir da nota Ré. É como se, em um piano, tocássemos só notas brancas (sem acidentes) com nosso centro revolvendo em torno de Ré. Por conveniência, é justamente nesse Ré que temos o de So What, um acorde menor com sétima, Dm7.

Temos à nossa disposição para o improviso nesse acorde as notas de sua escala formadora:

D – fundamental

E – segunda maior

F – terça menor

G – quarta justa

A – quinta justa

B – sexta maior

C – sétima menor

O segundo acorde está uma segunda menor acima, Ebm7, e seguimos o mesmo pensamento para improvisar no B onde ele aparece. O modo dórico para Eb:

Eb – fundamental

F – segunda maior

Gb -terça menor

Ab – quarta justa

Bb – quinta justa

Cb – sexta maior

Db – sétima menor

Distribuídos pelo braço da guitarra, temos para a sessão A:D Dorian

E na mudança de acorde para a sessão B, tudo isso um semitom acima:

D# Dorian

Agora estamos armados com as informações necessárias para brincar encima desse tema. Coloque esse backing track e inicie seus estudos! Caso ainda seja difícil fazê-lo, para saber melhor como aplicar as instruções desse post, leia os posts anteriores.

Série de Introdução ao Jazz da CAVERNADOLENHADOR:

(ainda por vir!) Jazz I – Fundamentos teóricos: Construção do solo

(ainda por vir!) Jazz II – Fundamentos teóricos: Forma e Fraseado

(ainda por vir!) Jazz III – Fundamentos teóricos: Harmonia

(ainda por vir!) Jazz IV – Fundamentos teóricos: Escalas

Jazz V – Estudando e improvisando: I. So What (Miles Davis)

(ainda por vir!) Jazz VI – Estudando e improvisando: II. Autumn Leaves (Bill Evans)

Jazz VII – Estudando e improvisando: III.Take Five (Dave Brubeck)

(ainda por vir!) Jazz VII – Estudando e improvisando: IV. Giant Steps (John Coltrane)

(ainda por vir!) Jazz VIII – Free Jazz: Ornette Coleman